3.5.06

Olhar

"Ao nascer eu não estava acordada, de forma quenão vi a hora.
Isso faz tempo.Foi na beira de um rio.
Depois eu já morri 14 vezes.Só falta a última.
Escrevi 14 livros E deles estou livrada.
São todos repetições do primeiro.
Posso fingir de outros, mas não posso fugir de mim.
Já plantei dezoito árvores, mas pode que só quatro.
Em pensamento e palavras namorei noventa moças,mas pode que nove.
Produzi desobjetos, 35, mas pode que onze.
Cito os mais bolinados: um alicate cremoso, um abridor de amanhecer, uma fivela de prender silêncios, um prego de farfalha, um parafuso de veludo, etc, etc.
Tenho uma confissão: noventa por cento do que eu escrevo é invenção; só dez por cento que é mentira.
Quero morrer no barranco de um rio:
- sem moscas na boca descampada!
(Manoel de Barros)
Isto é viver, minha
gente!
Escrever, dizer para si
próprio
Só isso importa!
Nossos compromissos, não com ele
ou ela, mas com a vida.
Dirija com atenção a estrada, que é sua. Você
pode escolher atalhos ou um caminhos mais longo. Qual deles é o certo? Não
existe certo. Existe o que você percorre feliz buscando aprender.
Conecte-se com a vida.
É bela, mas é curta.